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Além da Renda Fixa: Como a taxa de juros influencia os seus investimentos



Nos últimos meses, ou, até mesmo nas últimas semanas, você certamente ouviu muitas pessoas falarem sobre a taxa de juros no Brasil e seus impactos, seja de forma positiva ou negativa. Uma coisa é inegável, a política monetária brasileira vem sofrendo grandes mudanças nos últimos anos, que alteram a dinâmica econômica do país e, consequentemente, afetam os investidores.


Se você investe em renda fixa, certamente sentiu os impactos ocasionados por essas mudanças e começou a se questionar se ainda vale a pena esse tipo de investimento ou se está na hora de arriscar um pouco mais. Será que é o momento de entrar na renda variável?


A resposta para essas perguntas, e, para outras que podem surgir, passa inicialmente pelo entendimento do motivo que leva os bancos centrais a alterarem as taxas de juros e como isso afeta a economia. Vamos tentar explicar esses movimentos de forma simplificada.


Taxa de juros

A taxa de juros básica é o meio pelo qual o Banco Central controla a política monetária do país. Quando ela está alta, o investidor médio tende a preferir alocar seu capital em títulos atrelados à Selic e os bancos tendem a conceder menos empréstimos, diminuindo a liquidez na economia. Como efeito disso, a moeda local tende a se valorizar, porém, isso atinge diretamente as empresas brasileiras que acabam sofrendo com a diminuição da demanda externa, ou seja, as empresas que são muito dependentes de exportações acabam sendo prejudicadas.


Além disso, a demanda interna também é afetada, pois, é mais vantajoso para as pessoas pouparem, a gastarem os seus recursos monetários. Isso desestimula o crescimento econômico do país, que tende a sofrer com períodos de estagnação. Nesses momentos, o Banco Central deve entrar em ação para reduzir a taxa de juros e estimular a economia.


De forma contrária, quando a taxa de juros está baixa, as pessoas tendem a retirar seu capital da poupança, ou do tesouro, e realocá-lo em algo que renda mais, como a renda variável ou até mesmo investindo seu capital em um novo negócio. Com o dinheiro saindo da poupança, o consumo também aumenta, incentivando a produção do país e aumentando a liquidez local.


Com os juros baixos, as empresas começam a ir atrás de mais empréstimos e outras formas de financiar o seu crescimento. A liquidez aumenta e a moeda local tende a se desvalorizar, facilitando também a exportação. O movimento ocasionado pelo juro baixo, induz a economia a aquecer, o que acaba gerando inflação, pois, se a produção não conseguir acompanhar a demanda, os preços aumentarão. Mais uma vez, nesse momento, o Banco Central deve intervir, com o aumento da taxa de juros para controlar a inflação.


O cenário econômico vivido pelo Brasil passa por diversas incertezas. A pandemia ocasionada pela COVID-19 obrigou o Banco Central a acelerar o processo de diminuição da taxa de juros, tentando minimizar os impactos que estão e serão sentidos na economia do país. Aqui, vamos tentar, embora seja difícil, deixar essas questões de lado, e focar somente na questão dos juros, afinal, como os nossos investimentos estão sendo afetados com a taxa de juros no patamar atual de 2% ao ano?


Poupança

Embora não seja considerado por muitas pessoas um investimento, é inegável que a maioria da população brasileira ainda usa a poupança como reserva monetária, esperando algum retorno, e certamente já se perguntaram: “por que a poupança está rendendo menos?”.


Como estamos tratando da relação entre a taxa de juros e os investimentos, é evidente que a queda da rentabilidade da poupança passa pela diminuição dos juros. A poupança está atrelada ao Tesouro Selic, rendendo 70% do mesmo ao ano. Logo, quando o Banco Central diminui a taxa de juros, a rentabilidade da poupança também cai, tornando esse meio de investimento inviável para quem quer ter uma boa renda passiva. Além disso, na faixa de rentabilidade da poupança atualmente, é bem provável que, se considerarmos a inflação, ao deixar nosso capital na poupança, estaremos perdendo poder de compra, ou seja, nosso dinheiro estará valendo menos ao retirarmos.


Renda fixa

Como dito anteriormente, quem investe, ou investia, em renda fixa com certeza sentiu os impactos ocasionados pela diminuição da taxa de juros. Tesouro Selic, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), fundos DI, todos esses tipos de investimento estão ligados à taxa de juros de alguma forma. Quando falamos do Tesouro Selic, automaticamente já estamos falando da taxa de juros, logo, fica claro que qualquer alteração do Banco Central vai influenciar esse título público. As outras duas formas de investimento citadas, estão ligadas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que rende algo bem próximo a Selic, mas sempre menos. Então, mais uma vez, quando a taxa de Juros muda, esses investimentos também são influenciados.


Vale lembrar que a influência do movimento na taxa de juros vai depender do tipo de título. Títulos pós-fixados tendem a sofrer mais influência quando ocorre uma alteração na taxa de juros, influência que pode ser positiva se a taxa aumentar ou negativa, caso ela diminua. Alguns títulos pré-fixados também podem sofrer certa influência da taxa de juros, mas uma influência positiva devido à marcação a mercado, que aumenta o valor do título quando os juros caem.


O fato é que os títulos de renda fixa, nesse momento, são pouco atrativos em relação ao que já foram um dia, e mesmo o investidor mais conservador já pensou em mudar para a renda variável, todavia, esse tipo de investimento, de forma mais indireta, também sofre influência da diminuição da taxa de juros.


Renda variável

Imagine que você gostaria de fazer uma reforma na sua casa, mas não tem o dinheiro necessário no momento, então resolve ir ao banco pedir um empréstimo. Ao chegar lá, o gerente te informa os valores e os juros a pagar, mas como são muito altos, você se assusta e decide deixar a reforma para outra oportunidade. Dois meses depois, o banco te liga informando que os juros caíram, e que, agora, a sua reforma poderia sair bem mais em conta.


A menos que tenha desistido, você provavelmente aceitaria a proposta, certo? Da mesma forma, as empresas ao verem o juro baixar, buscam empréstimos com o intuito de expandir o seu negócio. Logo, o investimento em empresas listadas na bolsa pode ser um caminho interessante para quem deseja ter bons rendimentos.


Como também foi mencionado, a queda da taxa de juros faz o investidor mais conservador, que preferia ficar somente na renda fixa, migrar para a bolsa de valores. Esse movimento atrai empresas que, com o interesse de se financiarem, abrem capital na bolsa, aumentando a diversidade de empresas listadas. Esse movimento é denominado de IPO (Oferta Pública Inicial). O financiamento através da abertura de capital ocorre a partir da venda de parte das ações da empresa no mercado. No momento em que é realizado o IPO, essas ações ficam disponíveis pela primeira vez ao investidor.


Sabemos agora, que a taxa de juro no estado atual pode ser interessante para quem se sente seguro em investir em empresas, mas o mercado de ações não é único influenciado por ela.


Os fundos imobiliários são outro tipo de investimento que sofre influência da taxa de juros. Você, provavelmente, em algum momento da vida, já deve ter se juntado com alguns amigos para dividir uma pizza ou para pagar a conta do bar. Agora, tente imaginar fazer isso com um imóvel! É exatamente isso que ocorre em um FII.


Um fundo imobiliário é a junção de diversas pessoas que possuem interesse em investir no setor de imóveis. Ao adquirir a cota de um FII, você adquire participação em diversos imóveis que compõem o portfólio de ativos do fundo.

Entendido então o que são os fundos imobiliários, qual a influência da taxa de juros sobre eles?


Bem, o primeiro ponto relevante tem a ver com algo que já citamos anteriormente. A taxa de juros baixa torna os investimentos de renda fixa menos interessantes, logo, embora os fundos imobiliários sejam menos voláteis que as ações, eles se tornam um bom investimento pela possibilidade de se ter uma rentabilidade maior que a renda fixa. Também existem fundos imobiliários que possuem certa participação em ativos de renda fixa, como, por exemplo, o CDI. Esses fundos tendem a sofrer uma influência em suas cotações que, devido à expectativa ruim do mercado em relação à renda fixa, podem acabar se desvalorizando.


Essas não são as únicas formas que a taxa de juro baixa influencia o mercado de fundos imobiliários. A Selic baixa influencia positivamente o setor de construção civil e o mercado imobiliário como um todo. As formas de financiamento ficam mais baratas, e o investimento no setor tende a aumentar. O estímulo provocado na economia aumenta a demanda por imóveis podendo influenciar o preço dos alugueis e dos ativos imobiliários. Dessa maneira, fundos que buscam a valorização dos imóveis tendem a aumentar seus lucros, além daqueles que lucram a partir do aluguel de seus imóveis.


O fato que se torna indiscutível ao analisarmos essas informações é que, o investidor inteligente sempre deve estar atento aos movimentos provocados pelo Banco Central com a alteração da taxa de juro, para se posicionar corretamente no mercado, de acordo com cada situação, e conquistar os melhores rendimentos para si.


Luan Victor França

Graduando em Ciências Econômicas

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